DECRETO Nº 434, DE 23 DE JANEIRO DE 2020
Introduz a
Alteração 4.088 no RICMS/SC-01.
O GOVERNADOR DO ESTADO DE SANTA CATARINA, no uso das atribuições privativas
que lhe conferem os incisos I e III do art. 71 da Constituição do Estado, conforme
o disposto no art. 98 da Lei nº 10.297, de 26 de dezembro de 1996, e no art.
111-B da Lei nº 3.938, de 26 de dezembro de 1966, e de acordo com o que consta
nos autos do processo nº SEF 0226/2020,
DECRETA:
Art. 1º Fica introduzida no RICMS/SC-01 a seguinte alteração:
ALTERAÇÃO 4.088 – O Título II do Anexo 6 passa a vigorar acrescido do
Capítulo LXX, com a seguinte redação:
“CAPÍTULO LXX
DO DEVEDOR CONTUMAZ
Art. 408. Será declarado devedor contumaz o contribuinte do imposto que:
I – relativamente a qualquer de seus estabelecimentos neste Estado,
deixar de recolher o imposto declarado, inclusive o devido por substituição
tributária, relativo a 8 (oito) períodos de apuração, sucessivos ou não, nos
últimos 12 (doze) meses, em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de
reais); ou
II – tiver créditos tributários inscritos em dívida ativa, relativamente
à totalidade dos seus estabelecimentos neste Estado, em valor superior a R$
20.000.000,00 (vinte milhões de reais).
§ 1º Não serão considerados, para fins de inclusão do contribuinte na
condição de devedor contumaz:
I – os créditos tributários inscritos em dívida ativa até o limite dos
valores relativos a precatórios inadimplidos pelo Estado ou por suas
autarquias, cujo sujeito passivo seja titular originário; ou
II – os créditos tributários cuja exigibilidade estiver suspensa.
§ 2º A declaração de devedor contumaz alcançará todos os
estabelecimentos do mesmo titular localizados neste Estado.
§ 3º Na hipótese de alteração da denominação social da empresa ou do
estabelecimento ou de transferência, fusão, cisão, transformação ou
incorporação, a declaração de devedor contumaz alcançará os seus sucessores.
§ 4º Na hipótese do inciso I do caput
deste artigo, será considerado o período de apuração mais recente aquele em que
o prazo estabelecido no § 1º do art. 168 do Anexo 5 já tiver sido encerrado.
Art. 409. Constatadas quaisquer das hipóteses previstas no art. 408
deste Anexo, o contribuinte será intimado pelo Gerente Regional da Fazenda
Estadual à qual estiver jurisdicionado para que, no prazo de 30 (trinta) dias,
contados da ciência da intimação, comprove a regularidade de sua situação
fiscal.
§ 1º Transcorrido o prazo previsto no caput deste artigo sem que haja a regularização por parte do
contribuinte, o Gerente Regional da Fazenda Estadual expedirá termo de
declaração específico relacionando os débitos e demais elementos necessários à
caracterização do contribuinte como devedor contumaz, bem como especificando os
termos e as obrigações às quais será submetido.
§ 2º A declaração do contribuinte como devedor contumaz produzirá
efeitos a partir do primeiro dia do mês seguinte ao da ciência do respectivo
termo de declaração.
§ 3º O contribuinte deixará de ser considerado devedor contumaz a partir
do primeiro dia do mês subsequente ao da extinção ou da suspensão de
exigibilidade dos débitos que motivaram o seu enquadramento.
Art. 410. O contribuinte declarado devedor contumaz por ato do Gerente
Regional da Fazenda Estadual ficará sujeito, isolada ou cumulativamente, às
seguintes medidas:
I – impedimento à utilização de benefícios ou incentivos fiscais;
II – apuração do ICMS por operação ou prestação; e
III – instauração de regime especial de fiscalização.
§ 1º Os benefícios ou incentivos fiscais mencionados
no inciso I do
caput deste artigo:
I – compreendem:
a) as isenções;
b) as reduções da base de cálculo;
c) as devoluções, totais ou parciais, diretas ou indiretas,
condicionadas ou não, de tributos ao contribuinte, a responsável ou a
terceiros;
d) os créditos presumidos;
e) os juros e os demais encargos financeiros subsidiados pelo Estado;
f) a dilatação do prazo de pagamento do imposto devido;
g) os Tratamentos Tributários Diferenciados (TTD); e
h) quaisquer outros incentivos ou favores fiscais ou financeiro-fiscais, dos quais resulte redução ou eliminação, direta ou
indireta, do respectivo ônus tributário, inclusive aquele devido na
condição de responsável tributário; e
II – não compreendem:
a) os benefícios ou incentivos fiscais de caráter objetivo, concedidos
estritamente em função do fato gerador da obrigação tributária e cuja aplicação
não dependa de requisitos vinculados à qualidade do sujeito passivo; e
b) a remissão e a anistia de créditos tributários.
§ 2º Na hipótese do inciso I do caput
deste artigo:
I – o imposto será integralmente devido a partir da produção de efeitos
do respectivo termo de declaração; e
II – a partir do momento em que o contribuinte deixar de ser considerado
devedor contumaz, a fruição de benefícios ou incentivos fiscais dependentes de
regime especial ou prévio registro fica condicionada a novo pedido.
§ 3º Na hipótese de o contribuinte ser detentor de regime especial
autorizado por autoridade diversa, o Gerente Regional da Fazenda Estadual
comunicará à autoridade competente para que se promova a adequação do regime ao
conteúdo do termo de declaração expedido conforme o § 1º do art. 409 deste
Anexo.
Art. 411. Na hipótese do inciso II do caput do art. 410 deste Anexo, fica assegurada a compensação do
imposto cobrado na operação ou prestação anterior, sendo facultado ao
contribuinte a aplicação do seguinte:
I – a estimativa do crédito terá como referência a proporção entre o
imposto creditado pelas entradas e a base de cálculo das prestações e operações
de saídas no período de 12 (doze) meses anteriores; e
II – o crédito a ser utilizado em cada prestação ou operação será
determinado mediante a aplicação do percentual obtido nos termos do inciso I do
caput deste artigo sobre a base de
cálculo.
§ 1º Ao final de cada mês, o contribuinte fará o confronto entre os
valores recolhidos na forma deste artigo e os apurados regularmente em sua
escrita, sendo que, caso reste saldo devedor, este deverá ser recolhido até o
10º (décimo) dia do mês seguinte e, caso reste saldo credor, este poderá ser
transferido para o período de apuração subsequente.
§ 2º A estimativa de que trata o inciso I do caput deste artigo poderá ser revista, caso se verifique a
alteração da proporção nele prevista, considerando o período de vigência das
medidas adotadas.
Art. 412. O regime especial de fiscalização previsto no inciso III do caput do art. 410 deste Anexo poderá
compreender, isolada ou cumulativamente, as seguintes medidas:
I – fixação do prazo de recolhimento do imposto;
II – inclusão do contribuinte no cronograma de fiscalização, com vistas
à análise de suas obrigações tributárias, principal e acessórias; e
III – diferimento das operações e das prestações realizadas pelo
contribuinte, atribuindo ao destinatário da mercadoria ou prestação inscrito no
CCICMS no Estado a responsabilidade pelo recolhimento do imposto na condição de
substituto tributário.
§ 1º Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, o recolhimento do imposto será efetuado no
momento:
I – do desembaraço aduaneiro, quando se tratar de entrada de mercadoria
ou bem importados do exterior;
II – em que ocorrer a saída da mercadoria do estabelecimento;
III – em que se iniciar o serviço, quando se tratar de prestação de
serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação;
IV – em que ocorrer a entrada no Estado; e
V – da ocorrência do fato gerador, relativamente às operações e
prestações não contempladas nos incisos I a IV deste parágrafo.
§ 2º Na hipótese de exigência do pagamento do imposto nos termos do § 1º
deste artigo:
I – o crédito fiscal somente poderá ser aproveitado pelo destinatário
mediante comprovante do pagamento do imposto;
II – o contribuinte deverá consignar em campo próprio do documento
fiscal a obrigatoriedade prevista no inciso I deste parágrafo; e
III – será considerado inidôneo o crédito fiscal apropriado pelo
destinatário em desacordo com o previsto no inciso I deste parágrafo.
§ 3º A diferença entre o imposto recolhido por ocasião do fato gerador e
aquele apurado pelo confronto entre os débitos e os créditos escriturados
durante o mês constitui crédito para fins de compensação com o débito do
imposto relativo aos períodos de apuração subsequentes.
§ 4º O crédito de que trata o § 3º deste artigo deverá ser escriturado
pelo contribuinte de acordo com as regras previstas neste regulamento para a
DIME e para a EFD.
§ 5º O imposto diferido nos termos do inciso III do caput deste artigo poderá ser exigido do destinatário da operação
ou prestação por ocasião da entrada no estabelecimento, podendo ser recolhido
até o dia 10 (dez) do mês subsequente em Documento de Arrecadação de Receitas
Estaduais (DARE) específico, não se aplicando o disposto no § 1º do art. 1º do
Anexo 3.
§ 6º O Secretário de Estado da Fazenda editará portaria a fim de
disciplinar o disposto neste artigo.
Art. 413. O enquadramento do contribuinte nas disposições deste Capítulo
não o dispensa das demais obrigações acessórias nem afasta a aplicação das
seguintes medidas:
I – arrolamento administrativo de bens;
II – proposição de ação cautelar fiscal; ou
III – representação ao Ministério Público de Santa Catarina por crime
contra a ordem tributária.” (NR)
Art. 2º Este Decreto entra em vigor no primeiro dia do terceiro mês
subsequente ao de sua publicação.
Florianópolis, 23
de janeiro de 2020.
CARLOS
MOISÉS DA SILVA
Governador do Estado
DOUGLAS BORBA
Chefe da Casa Civil
PAULO ELI
Secretário de
Estado da Fazenda